ONGs criticam atraso no fornecimento de remédio para tuberculose no Rio

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A intermitência no fornecimento de remédios para tuberculose na cidade do Rio de Janeiro preocupa organizações da sociedade que atuam na prevenção à doença. Na Rocinha – bairro da zona sul com alto índice de infecção – o Fórum de Organizações Não Governamentais de Combate à Tuberculose no Estado do Rio denuncia que  pacientes ficaram até 13 dias sem medicação, o que coloca em risco o tratamento e aumenta as chances de transmissão.

A Prefeitura nega interrupção no tratamento e assegura que os estoques foram regularizados nesta semana.

A Presidenta do Grupo de Apoio aos Pacientes e ex-Pacientes de Tuberculose da Rocinha, Rita Smith, denuncia que o posto de saúde da comunidade, por duas vezes, em um período de 40 dias, ficou desabastecido. Segundo ela, pacientes  interromperam o tratamento, por causa da dificuldade para conseguir pegar os remédios, que devem ser tomados diariamente. “As pessoas são pobres, trabalham fora, teve greve dos ônibus, ou seja, por questões sociais muitas não conseguiram pegar e outras ficaram sem medicamento”, disse ela.

A Prefeitura confirmou que teve problemas no abastecimento, mas ressalta que nenhum paciente ficou sem remédio. Segundo o subsecretário de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde, Daniel Soranz, a Secretaria Estadual de Saúde não fez o repasse previsto no prazo, o que obrigou a prefeitura a racionar a medicação para não prejudicar o atendimento. “Recebemos três semanas atrás uma cota menor do que a prevista. Isso nos obrigou a distribuir medicamentos não para 30 dias, mas sim, por semana”, disse. Na quinta-feira (15), “a cota foi regularizada”, esclareceu.

O racionamento das pílulas, no entanto, favorece o abandono do tratamento, que deve ser seguido à risca até o fim, disse o presidente do Fórum de ONGs da Tuberculose, Roberto Pereira, “As pequenas dificuldades, que para os gestores parecem bobagem, são as que provocam o abandono do tratamento. Para quem tem que ir todo dia ao posto buscar remédio, tomar remédio, ir trabalhar para sobreviver e voltar para o posto no outro dia são grandes dificuldades”, avaliou.

As organizações cobram que os governos informe quais medicamentos foram entregues e quanto tempo vão durar. “Os remédios chegaram, mas como há essa intermitência, não sabemos se podem faltar de novo”, criticou Rita. Na comunidade da Rocinha, segundo dados mais recentes do governo do estado, a incidência da doença é de 300 casos para cada 100 mil habitantes.

O Ministério da Saúde informou que o envio de medicamentos para tuberculose ao  estado do Rio  foi feito normalmente, e, março e abril de 2014. A quantia, segundo o  ministério, era suficiente para atender o Rio até o final de julho. Já a secretária do  estado, responsável pela distribuição dos remédios, afirma que “houve atraso” no  envio de medicamentos pelo governo. O ministério e a secretaria divergem nas daras de envio dos remédios.  Segundo a secretaria estadual, repasse foi feito em 2 de maio. Já o ministério afirma que a última remessa foi enviada em 25 de abril.

A tuberculose é uma doença infecciosa que se não for tratada pode levar à morte.

Atualmente, o estado do Rio tem a maior incidência de casos no país, por causa da elevada taxa na capital. No mundo, o Brasil está entre os Países com mais casos de tuberculose ao lado da Índia.

 Fonte: Agência Brasil

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